Desde cedo eu sabia que não se tratava simplesmente de sentimentalismo, ou qualquer coisa parecida. Sabia que quando dizia "ninguém me entende" eu realmente estava querendo dizer aquilo e, hoje, muitos anos depois, eu continuo entendendo melhor do que todo mundo porque ninguém consegue me entender. Não é inocência, nem dissimulação, não é menos hipocrisia, ou excesso de sinceridade. É muito, mas muito mais simples do que isso. É lógica, matemática, razão, ou emoção demais. Às vezes, parece ser tão verdade que as pessoas não acreditam. Elas esperam que seja mais que isso, ou menos talvez. E outras vezes é tão óbvio que eu acabo sendo a complicada da história.
Mas não tem nada a ver com isso. Será que o fato de eu pensar demais faz com que eu esteja sempre um pensamento a frente? Não consigo entender as pessoas... e elas não conseguem me entender. Isso é fato...
Eu nunca quis ser diferente e eu sempre achei que quando eu crescesse as coisas iam ficar mais fáceis. Eu não queria ser "a" liberal, nem "a" egoísta. Mas acabei assumindo esse papel muitas vezes na minha vida. Eu não pretendi, em nenhum momento, ser a mais santa, a mais correta, mas sempre foi a forma que as pessoas me viram.
Mesmo quando eu falava para elas - e falo - que eu sou muito pior do que elas imaginam, elas não me levam a sério. E, nessas horas, eu sei que o excesso de sinceridade faz com que ninguém realmente acredite.
Eu não sou má, de jeito algum. Mas posso ser realmente bem egoísta diante dos olhos de todos. Tenho minhas teorias que justificam minhas atitudes e que fazem com que eu acredite que ñão estou pensando só em mim. Mas elas são minhas e ninguém consegue enxergá-las e, mesmo que o fizessem, não conseguiriam entendê-las.
Posso ser mal interpretada, mas defendo que as pessoas sabem o que, quem, como e porquê eu sou. Elas só não querem dizer se eu estou certa ou errada, se concordam ou não. E normalmente, eu tenho que dizer, eu não concordo.
Muitas vezes me dizem "mas vc é diferente". E eu penso "vcs são diferentes. porque eu sou lógica e não tem como fugir dela. É como discutir sobre 1 + 1 não ser dois. E eu não gosto de pensar que existem outras possibilidades que contrariam essa afirmação".
Sei, mais do que as pessoas imaginam, que o ser humano é uma caixinha de surpresas e fico feliz por isso. Sei que o exato não existe, mas gosto de acreditar nele. Quando me provam o contrário, não hesito. Só não faço disso uma regra.
Mas pode ser muito mais simples. Muito mais simples. Simples mesmo.
Julia Costa