Durante todos esses anos, tudo o que eu fiz foi manter dentro de mim sentimentos e pensamentos que não existem, porque, se eles nunca foram expostos ao mundo real, se nunca foram ditos, não existem. E em função de que, se eles são reais para mim? Em função de quê escondi do mundo tudo isso?
Eu sei o que eu amo, sei do que não gosto, sei de quem gosto e de quem não gosto, sei, melhor do que ninguém quem eu sou e sei melhor do que ninguém o que penso das pessoas e das coisas que fazem parte do meu dia a dia. O que eu realmente não sei e que eu pagaria, de fato, para saber é o que as pessoas pensam de mim e como é o mundo que elas vêem.
A verdade é que eu sonho, o tempo todo, com vidas possíveis, com encontros que nunca existiram e nunca existirão, com coisas que vêm a acontecer, às vezes previsivelmente, às vezes sem que eu esperasse. Sonho com casas, com pessoas que não existem, com lugares, com viagens, com empregos, com situações... A verdade é que eu sonho acordada mais do que vivo a vida real.
Por isso, muitas vezes eu não consigo prestar atenção no que as pessoas estão me dizendo, porque eu estou pensando em alguma coisa que não tem a ver com o assunto que está sendo discutido. Quando não sonho, lembro. E isso também acontece muito em horas inapropriadas.
Quando eu digo que não consigo ficar sem pensar em nada, não é exagero. Minha cabeça está sempre em movimento, imagens, sons, músicas, cheiros estão sempre passando por ela. Quando assisto TV relaciono tudo o tempo todo. É isso. Relação. O tempo todo que estou consciente estou fazendo associações de coisas que já vivi, já li, já ouvi em algum lugar, filme, música, novela, seriado, comercial, na faculdade, no colégio, na pós, nos trabalhos por onde passei, nas revistas que leio... Tudo está associado, sempre.
Muitas vezes, quando as pessoas pensam alguma coisa sobre mim que eu não acho que seja verdade, ao invés de tentar me justificar para colocar meu ponto de vista, eu simplesmente desisto. Porque, no fundo, eu não me importo. Não me importo com o que pensam de mim, contanto que não me incomodem. Se alguém que eu não me importo some da minha vida para sempre, não tenho falsas saudades, eu simplesmente não sinto falta de algumas coisas, de algumas pessoas e de alguns lugares, dificilmente de alguns lugares, mas, dependendo de onde, até que é possível. Mas, por outro lado, se alguém que eu me importo pensa algo de mim que eu não considero verdade, fico angustiada até fazer com que a pessoa perceba que está errada, ou até eu perceber que ela está certa e tentar descobrir uma maneira de lidar com isso.
Tenho vontade de conhecer muitos lugares no mundo, mas não todos. Por exemplo, não tenho a menor, menor, menor vontade de conhecer Xangai ou Tóquio. Na verdade, o Japão, em geral, não me inspira. O interior da China até que me dá uma certa curiosidade de conhecer... aquele país é tão grande, deve ter uma diversidade natural inimaginável.
E o meu filme preferido é realmente Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Não sei o que me atrai mais nele, se é o amor eterno, a inquietação da alma de quem ama, a importância da memória ou o roteiro bagunçado... Talvez seja tudo isso...
Não tenho uma banda preferida. Eu cismo com algumas de vez em quando, mas depois de escutar umas centenas de vezes eu acabo enjoando de todas... Já gostei bastante de Counting Crows, Third Eye Blind, Dave Matthews Band, Cake... Mas hoje já nao sei mais o que me atrai… Por isso escuto de tudo um pouco. Tenho samba, pagode, rock, pop, reggae, tudo no meu computador. Só não tenho tudo no meu MP3 porque não cabe, mas alterno bastante as músicas de lá. Atualmente tem bastante Coldplay.
Algumas coisas, porém, eu nunca canso. Já perdi a conta de quantas vezes assisti ao Brilho Eterno. Também tenho todo o seriado Felicity baixado e também já perdi as contas de quantas vezes assisti. Mas não são todos os episódios, só os mais intensos. Poderia passar um final de semana inteiro sem sair de casa só assistindo aos meus seriados e filmes preferidos sem me sentir nem um pouco culpada por isso.
Também poderia ficar na praia um dia inteiro, tomar café, almoçar, jantar por lá, sem nem me importar. É como se fosse uma espécie de habitat natural, é como eu me sinto quando estou na praia, com sol ou sem sol. Só não pode chover, porque eu realmente não gosto de chuva.
Em algum momento do passado eu acreditei que poderia passar a vida inteira viajando, mas foi uma das coisas que descobri não ser verdade sobre mim. Eu não sou do tipo que fica muito tempo fora de casa, assim como não sou do tipo que fica bem quando está em contato extremo com a natureza. Eu amo a natureza, faço bastante para defendê-la, mas odeio insetos, mato, coceira, fungos... Não é minha praia.
Mas gosto de acampar. A idéia de acordar às 6hs da manhã, com o galo cantando, abrir a portinha da barraca e dar de cara com um mar imenso me deixa feliz, mas raramente eu ficaria feliz por acordar às 6 da manhã. Essa é a verdade.
Eu também gosto bastante de ter uma vida saudável. Gosto de praticar esportes, sempre gostei. Não tenho nenhum específico que pratico desde criança, mas estou sempre praticando algum fanaticamente. Quando não é corrida é natação, quando não é natação é caminhada, quando não é caminhada é vôlei, quando não é vôlei é musculação e assim por diante. Mas a verdade mesmo é que eu não sou saudável... Eu amo Mc’ Donalds, em algum momento dos últimos anos viciei em refrigerante, não como mais biscoitos recheados com tanta freqüência, mas eles foram substituídos pela cerveja em termos quantitativos de calorias.
Tenho plena noção do quanto fez falta um bom colégio da 5ª série ao 1º ano do segundo grau, mas, hoje, tento compensar de formas diversas. Apesar de não ter aquele conhecimento básico, muitas vezes me considero mais antenada do que quase todas as pessoas que conheço. Isso porque eu realmente tento compensar, devoro revistas, leio matérias online o tempo todo e defini alguns nichos que gosto de seguir.
Falando em seguir, nessa de tentar compensar também me tornei a pessoa mais conectada que conheço. É claro que, nitidamente, eu não conheço pessoas muito envolvidas tecnologicamente, mas, mesmo assim, sem parâmetro, me considero conectada demais. Tenho blogs (3), Twitter, Facebook, Orkut, Fotolog e recebo diariamente notícias do Radar 55, Goop, The New York Times, Washington Post, O Globo, além de informações sobre gastronomia.
Quando trabalhava com algo mecânico, queria algo que exigisse esforço mental, hoje que trabalho com algo que existe esforço mental, desejo trabalhar com algo mecânico. Mas sei que o que eu realmente faria com felicidade são trabalhos onde não dependo de ninguém, de chefes ou clientes. Mas isso eu sei que não é possível porque as únicas pessoas que conseguem isso trabalham com arte. E eu não tenho dom artístico, nunca tive. Quando me imagino pintando um quadro, com um fone no ouvido e uma música relaxante, sinto uma alegria tão plena, tão plena, que chega a ser inexplicável, já que eu nunca pintei um quadro, nem nunca cheguei perto disso.
Às vezes penso também que eu gostaria de fotografar. Mas igualmente, não precisaria de contratantes? Para quem fotografaria? Às vezes penso que me incomoda ter que viver em sociedade. Como se eu tivesse fobia das pessoas. Tem um nome para isso, mas não consigo me lembrar qual é. Nunca foi grave o suficiente e acho que ainda não é. Quem sabe um dia será.
Gosto de mudanças. Meu quarto nunca fica muito tempo com a arrumação igual, nem o meu desktop. Sempre que posso mudo a figura do plano de fundo ou mudo a configuração do computador, minha mesa do trabalho nunca está igual também e, sempre que possível, se me é permitido, mudo a posição da mesa ou do monitor. È uma necessidade, se não faço isso não consigo me concentrar.
Há ainda algumas outras coisas, mas são muito íntimas. Basicamente, o que as pessoas poderiam saber sobre mim é isso que está aí. Quem sabe mais, já sabe muito!