
Todo mundo diz que ser mãe é uma experiência única, que só sabe como é quem é! Se todas as mães que eu conheço dizem isso, não tenho nem como dizer que não concordo, certo? Mas tenho minhas considerações, antes de sermos mães, nós somos filhas e assistimos a todo essa novela de camarote!
Eu passei a infância assistindo minha mãe acordar cedo para nos deixar na escola e ir trabalhar, assistindo ela chegar cansada depois de 8 horas de trabalho e umas 3 de trânsito para nos buscar na casa da minha avó às 8:30 da noite (lembro porque era na hora do Jornal Nacional), chegar em casa para ainda estudar com a gente antes de preparar alguma coisa para comer!
Passei a infância assistindo ela tentando lidar com os problemas que a vida lhe trazia, como os vacilos do meu pai, as opiniões dos meus avós e a falta da sua própria mãe, que estava tão longe dela.
Passei a infância assistindo a sua busca constante por uma vida melhor, sua fidelidade enquanto esposa, sua integridade ao pedir o divórcio, sua coragem ao se mudar para uma cidade onde não tinha família nenhuma para lhe ajudar, sua bondade, carisma, espontaniedade que a ajudaram a fazer amigos sempre de forma tão rápida, amizades eternas, verdadeiras.
E, então, quando cresci um pouquinho mais, comecei a perceber que ela era ainda mais do que eu imaginava! Não eram só as pessoas que ficavam amigas dela, ela ficava amiga das pessoas! Sempre a vi ajudando quem quer que fosse, amigo, não amigo, próximo ou distante, pobre ou rico, seja com dinheiro, que não tinha, com alimentos, com seu ombro ou suas palavras. Muitas vezes, na verdade, bastavam seus ouvidos.
Passei a adolescência reparando na forma com que ela lidava com os relacionamentos, seja com namorados, com amigos, com família ou conosco. Não poderia ser melhor, ela sempre foi devota aos sentimentos dos outros, sempre os colocou à frente aos seus e, talvez, seja esse o motivo dela ser tão especial. Não é uma comparação, mas não é um dos mandamentos de Deus, amar ao próximo como ama a si mesmo?
Ainda na adolescência, percebi, de uma forma sutil e demorada, que, apesar dela tentar sempre evitar meus sofrimentos com o primeiro amor, o primeiro beijo, o primeiro namorado, o primeiro fora, a primeira transa, a primeira traição, ela deixou que eu aprendesse tudo sozinha e que o que eu considerava intromissão, era, na verdade, proteção. Uma proteção que não podia deixar de existir. Como eu faria se ela nao estivesse lá em todos aqueles momentos?
E mais, foi nesse momento que comecei a ver, de fato, o quanto minha mãe era forte e capaz! Do zero, ela montou uma vida, para ela, para mim e para o meu irmão! Do zero, ela fez centenas de amizades, do zero, ela comprou casa, carro, ganhou promoção profissional. Do zero, ela peitou o que não achava correto em seu trabalho e comprou brigas maiores do que eu podia assimilar. E venceu. Do zero, ela batalhou por tudo o que desejava para a nossa vida, e conseguiu. Foi, então, que eu percebi que não precisava de mais nenhum outro motivo para admirá-la, para segui-la e para te-la como exemplo para o resto da minha vida.
Na minha formatura, concluí uma das coisas mais difícies que aprendi sobre ser mãe. Uma hora você tem que deixá-lo ir, seguir sua vida, sair debaixo das suas asas. Com ela, aprendi que ser mãe é não ser 0,1% egoísta, é pensar que o seu filho, muito mais que seu filho, é um ser humano, que tem uma vida pela frente e que, em algum momento, você não estará mais aqui para ajudá-lo, então ele tem que se virar sozinho.
Assistindo minha mãe lidar com tanta alegria com essa mudança, percebi que a certeza do amor mútuo é uma das coisas mais confortantes que podemos ter na vida. Mais do que mútuo, é um amor incondicional. Ele independe do meu amor, do amor do meu irmão, para existir. Ele existiria independente qualquer coisa!
E nós fomos embora.
De longe, vi que minha mãe estaria comigo, mesmo que eu estivesse do outro lado do mundo, em outra galáxia, ela ainda estaria comigo. Percebi, então, que durante todo o tempo em que estávamos morando com ela, tudo o que ela tinha sido, ou pelo menos em 95% do tempo, era mãe! Quando saía cedo e chegava tarde do trabalho, era por nós dois, quando escutava coisas que não queria ou quando abria mão de viagens e consumos, não era porque não podia, mas porque existiam coisas que queria fazer por nós dois antes. E, no final das contas, percebi que, mesmo quando saímos de casa, nada disso mudou.
E, só quando casei, quando descobri a importância do meu marido da minha vida, que lembrei
que minha mãe, antes de ser mãe, era mulher, como eu! E era a mulher mais romântica que eu já conheci na minha vida! E percebi que, a felicidade da minha mãe era fator primordial para a minha felicidade. Quando ela encontrou seu príncipe, foi como se eu tivesse encontrado o meu.
que minha mãe, antes de ser mãe, era mulher, como eu! E era a mulher mais romântica que eu já conheci na minha vida! E percebi que, a felicidade da minha mãe era fator primordial para a minha felicidade. Quando ela encontrou seu príncipe, foi como se eu tivesse encontrado o meu.Hoje, analisando os 24 anos que a conheço, entendo o significado de melhor mãe do mundo. Não é porque todo mundo diz que a sua mãe é a melhor mãe do mundo, não é porque criam camisas, canecas, travesseiros e cartões com essas palavras. É porque, para ela, mãe é sua personalidade, sua característica mais forte, sua vantagem, sua desvantagem, seu maior prazer, sua maior dificuldade. Ela é mãe antes de tudo, depois de tudo e durante tudo.
E, se eu entendo isso, eu entendo que a única coisa que eu não sei sobre ser mãe é de onde ela tira tanta força. E isso, eu tenho certeza, que mãe nenhuma entende.
Mamãe, você é a melhor mãe do mundo e digo isso carregada de argumentos! Eu amo você!
Ilustrações Jana Magalhães Abril 09 www.ludicices.com
















