Todos os dias eu assisto pessoas na TV, nos sites, na rua, fazendo seus próprios shows. E eu fico pensando se, em todo o pouco tempo que eu tenho na minha vida, eu vou conseguir viver tudo aquilo que elas estão vivendo. Eu sei, pode parecer estranho a princípio, mas eu vou explicar melhor.
Desde pequena, quando eu assistia a seriados e filmes, projetava toda a minha vida naqueles acontecimentos, naqueles lugares, naqueles empregos, com aquelas pessoas. E eu imaginava que daria tempo de ser tudo aquilo. Em algum filme que vi, havia almofadas em cima da cama, muitas almofadas, coloridas. E, depois disso, toda vez que eu pensava na minha casa, no meu quarto, na minha cama, pensava com aquelas almofadas.
Outra vez, assisti a Mensagem para Você, com a Meg Ryan, e pensei que eu seria uma pessoa que nem ela, e teria um relacionamento que nem o deles. E isso ficou na minha cabeça por muitos meses, talvez até alguns anos. E acho que só superei essa fase quando entrei na faculdade e fiquei vidrada em Felicity. Eu sempre achei que poderia ter uma vida de universitária que nem a dela, que poderia namorar, me apaixonar, ficar confusa sobre qual carreira seguir, trair meu namorado e viver todo aquele drama...
E, no final das contas, foi mais ou menos assim mesmo que as coisas aconteceram.
Acontece que hoje, com 24 anos, casada, morando no meu próprio apartamento e no meu apartamento próprio, com um diploma na mão e outro a caminho, ainda faço essas projeções, involuntariamente.
Mas, hoje, eu consigo identificar quando isso acontece e, em alguns casos, evito a frustração. Na maior parte das vezes analiso se vou viver ou não aquilo que passa pela minha cabeça e, quando chego a conclusões que não me satisfazem, fico um pouco triste, mas passa.
Quando penso nisso, quando falo nisso e, mais do que tudo, quando escrevo sobre isso, como agora, vejo o quanto é ridículo. Mas tudo bem, eu nunca me importei com o ridículo. Porque ele nada mais é do que o que as pessoas pensam sobre mim e, além das pessoas que me conhecem e sabem que isso não é ridículo, eu não me importo com o que podem pensar ou falar sobre isso.
Na verdade, tanta coisa que passa pela minha cabeça durante o dia, se fosse dita, se outras pessoas soubessem, seria ridículo! Mas eu duvido que não aconteça com todo mundo ao meu redor, que não aconteça com você mesmo, que está lendo esse texto.
Voltando à questão principal, a minha forma de lidar com esse problema foi simples. Todo dia é um grande dia, todo feito é um grande feito. Minha vida é um show, minha vida pode ser o que eu quiser e o valor que cada coisa que acontece tem depende unicamente de mim.
E assim posso assistir à minha TV, navegar pela internet e ler sobre a vida de pessoas que eu nunca vou conhecer sem precisar me preocupar com isso.
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