quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Alice

Alice era uma meninas excêntrica, tinha suas próprias - e únicas, e esquisitas - crenças. Era viciada em sexo e nunca teve namorado, pois acreditava que esse compromisso acabaria com toda a sua liberdade, de pensar, de ir, de vir, de ficar, de falar. Sempre caminhou sozinha, pelo mundo inteiro, conheceu pessoas, modificou culturas, foi hippie, viveu em comunidades indígenas, freqüentou a igreja católica e centros de Candomblé.
Alice se apaixonou. Perdeu as estribeiras, descarrilhou seu trem, encontrou cruzamentos e não soube qual caminho seguir, seguir todos. Largou o mundo, abandonou suas crenças, se absteve do sexo, esqueceu das pessoas e entregou sua liberdade à paixão.

Alice continuou sem namorado, mas sua vida virou uma cela de prisão, sem direito a sol quadrado, porque não olhava para o lado de fora. O felizardo que ganhou o coração de Alice, nunca apareceu. Só esteve uma vez diante de seus olhos, nunca trocou sequer uma palavra com ela e deu-lhe as costas por desprezar sua promiscuidade.

Alice pagou sua pena, libertou-se depois de um tempo, desapaixonou-se, ganhou sua liberdade de volta, pegou carona em navios, em canoas, em jegues, em motos e seguiu seu rumo. Encontrou novamente cruzamentos, mas soube exatamente qual caminho seguir, afinal de contas, qualquer um deles levaria aonde gostaria de ir: qualquer lugar!

Depois disso, Alice apaixonou-se e desapaixonou-se muitas vezes. E em certa altura de sua vida, resolveu arranjar um namorado depois de perceber que sua liberdade ia e vinha independente de seus atos, mas simplesmente por causa de seus sentimentos.

Nenhum comentário: