Alice se apaixonou. Perdeu as estribeiras, descarrilhou seu trem, encontrou cruzamentos e não soube qual caminho seguir, seguir todos. Largou o mundo, abandonou suas crenças, se absteve do sexo, esqueceu das pessoas e entregou sua liberdade à paixão.

Alice continuou sem namorado, mas sua vida virou uma cela de prisão, sem direito a sol quadrado, porque não olhava para o lado de fora. O felizardo que ganhou o coração de Alice, nunca apareceu. Só esteve uma vez diante de seus olhos, nunca trocou sequer uma palavra com ela e deu-lhe as costas por desprezar sua promiscuidade.
Alice pagou sua pena, libertou-se depois de um tempo, desapaixonou-se, ganhou sua liberdade de volta, pegou carona em navios, em canoas, em jegues, em motos e seguiu seu rumo. Encontrou novamente cruzamentos, mas soube exatamente qual caminho seguir, afinal de contas, qualquer um deles levaria aonde gostaria de ir: qualquer lugar!
Depois disso, Alice apaixonou-se e desapaixonou-se muitas vezes. E em certa altura de sua vida, resolveu arranjar um namorado depois de perceber que sua liberdade ia e vinha independente de seus atos, mas simplesmente por causa de seus sentimentos.
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