quarta-feira, 16 de setembro de 2009

d.i.n.h.e.i.r.o

Você receberia menos por qualidade de vida? Um dia desses estava conversando com um amigo sobre isso e ele discordou veementemente de mim, quando eu disse que qualidade de vida não tem preço. Ele disse: "se você pensar em ser feliz, hoje vai estar como estou, pagando aluguel". Seria uma má experiência, realmente, se não tivesse vindo de uma pessoa que aluga um apartamento de 4 quartos (sendo 4 suítes), em um prédio com dois apartamentos com andar, de frente para o mar.

Já fui mais radical, já achei que não precisava fazer parte do sistema capitalista, que poderia viver sem luz, internet, cuidando da minha hortinha, morando numa casa de madeira, na beira de uma praia deserta (!!!).

Hoje, eu simplesmente acho que qualidade de vida tem preço, sim. Já paguei esse preço e não foi só uma vez. E ainda pagaria hoje, amanhã, depois, quantas vezes fosse preciso, o valor que fosse preciso, para viver de forma agradável horas, minutos e segundos do meu dia.

Mas aí ele diz: "então por que você está fazendo uma pós-graduação tão cara? é porque você busca qualidade de vida? você acha que seus professores que trabalham o dia inteiro, que são diretores, presidentes, donos de suas próprias empresas e ainda dedicam o final dos seus dias a dar aula para pessoas que querem um dia chegar onde eles chegaram, se importam com qualidade de vida? Talvez suas atitudes não estejam de acordo com seus objetivos...".

De fato, conforme, inclusive, aprendi na pós, primeiro estabeleço meus objetivos e depois traço a estratégia de com chegar até eles. Não o contrário.

Tem gente que diz que o dinheiro não traz felicidade. É claro que ele traz! É tão óbvio como ele traz! Se eu quero viajar, tenho dinheiro, viajo, fico feliz! Se não tenho dinheiro e não viajo, fico triste. Ele não garante felicidade, mas traz, sem dúvida.

A questão é avaliar o preço de cada situação. O salário que você recebe paga o stress que você vive? Você tira de letra o fato de ser responsável pelo trabalho de uma equipe? Você dispensaria seus finais de semana por alguns anos para que, futuramente, possa ter uma vida melhor? Somos todos diferentes, para cada uma dessas perguntas, temos uma resposta única e pessoal.

Meu amigo acha que, com as escolhas por qualidade de vida que fez quando mais novo, acabou tendo uma vida mais difícil que seus colegas. É a visão dele e eu respeito. Mas não espere de mim o mesmo. Sei que independente de onde eu trabalhar, haverá problemas. Em alguns lugares, mais, em outros lugares menos. Sei que adoro ter dinheiro, mas também sei até onde dependo dele. Talvez o importante seja exatamente isso, saber até que ponto você depende do seu salário. Depois disso, traçar objetivos ou não, fica em segundo plano.

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