Ganhei o livro A Cura de Shopenhauer há alguns meses do meu marido. Ele sabia que eu tinha gostado bastante de Quando Nietzsche Chorou e resolveu me presentear inusitadamente, não era meu aniversário, dia dos namorados ou natal. Fiquei feliz com o presente, mas estava lendo, na época, O amor nos tempos de cólera, então adiei a leitura filosófica.
Quando terminei o livro de Garcia Marquez, pensei em começar a ler Yalom (Irvin D. Yalom, autor dos dois livros citados acima). Mas comprei algumas revistas de música e comportamento, acabei fixando a leitura nelas. Há algumas semanas, comecei a sentir a necessidade de concentrar a leitura novamente, quando comecei a carregar na bolsa A Cura de Shopenhauer.
Confesso que o início do livro não me instigou muito. A história começa com uma notícia triste, quem gosta de começar algo de forma triste? Mas alguns acontecimentos me motivaram a aumentar a frequência da leitura. Encontrei um amigo que estava lendo o mesmo livro e, antes de descobrirmos essa coincidência, conversamos sobre alguns dilemas existenciais que afligem toda a humanidade, mas nem todos falam sobre.
Foi o estímulo que eu precisava. Não sei se aconteceria, independente de qual fosse o tema, mas a cada nova página consigo identificar as situações com a minha vida, fazer a relação com temas atuais que estou vivendo.
Uma das últimas que identifiquei foi da frase acima, em negrito. Tenho uma teoria infundada, que apenas acredito e levo em consideração. Acho que quando verbalizo o que antes estava só nos meus pensamentos, seja falando ou escrevendo (mas é ainda mais grave quando escrevo porque crio provas contra mim mesma), faço com que aquilo passe a existir. Mas já não existia antes? Sim, existia, para mim. Existir para mim é diferente de existir para o universo. É como se, ao falar, eu perdesse o controle de algo que antes era só meu.
Ainda sobre o livro, além de todo o conhecimento passado através de seu conteúdo, tem sido de extrema importância para que eu possa rever alguns valores e conceitos que sempre tive para mim, mas há muito já não os levava em consideração. Não por não estarem presentes nas minhas atitudes, mas por não estarem presentes nos meus pensamentos.
Só para citar mais um trecho específico do livro, em certo momento, Schopenhauer diz que "quem tem muito calor interno prefere se manter afastado da sociedade para não dar nem receber problemas e aborrecimentos". O calor interno é uma metáfora que ele usa no texto sobre porcos-espinhos, mas a questão real é se nos consideramos suficientes para nós mesmos, por que nos colocaríamos na complexa relação humana, onde corremos riscos desnecessários?
Minha primeira reação foi pensar "que coisa mais egocêntrica, egoísta e individualista"! Poucos minutos depois, pensei que assumir uma posição dessas como verdade absoluta pode ser um tanto quanto radical e ninguém ganha muita coisa com posições radicais, pois não se dá o benefício da dúvida. Contudo, em parte, concordo. Às vezes, tenho a sensação de que quanto menos me relaciono, mais paz tenho. Quanto mais tenho acesso aos problemas e dúvidas alheias, mais sofro. Quanto mais exponho minhas dúvidas e problemas, mais me coloco em posições onde me sinto insegura.
Não seria o isolamento uma forma mais eficaz de encontrar a paz interior que busco? Ou seria uma fuga da realidade? Não sei ainda o que pensar sobre isso. É um assunto complexo, mas interessante e real, cotidiano.
Nenhum comentário:
Postar um comentário