terça-feira, 1 de setembro de 2009

Non-planner Girl


Tudo o que que sempre fui, uma "non-planner girl". Tudo o que eu sempre quis ser, uma pessoa organizada. Faço listas sempre que me lembro, quase todos os dias, com uma caneta e um bloquinho na mão. Tenho lista de coisas que quero comprar para a casa, lista de resoluções do novo ano - que pode se repetir no meu aniversário -, lista de convidados para festas que não acontecem, lista de convidados para festa que acontecem, mas que acabam sendo com convidados que não estavam na lista...

Esses dias, conversei na praia com um amigo sobre o fim do mundo. Se ele realmente tem chance de acontecer, qual é o sentido do nosso desespero diário em busca de um futuro tranquilo? É como se, ao saber que tudo pode acabar um dia, você transferisse seus valores, seus desejos, seus planos.

Mas não é exatamente a única certeza que temos, a de que vamos todos morrer, eventualmente? A probabilidade nos indica que o índice de morte por violência é alto, assim como o de acidentes de trânsito. Isso, sem contar com as doenças tabus, como câncer, câncer, câncer... gripe suína, tuberculose, câncer...

Esqueçamos a morte, é um tema muito... mórbido.

Nós podemos falar da emoção de viver o inesperado, de fazer o improvável, de surpresas, de desafios. Não é tudo mágico quando o assunto caminho para este lado? As mudanças sempre foram um atrativo para mim. Acho que tem a ver com o fato de eu não gostar de pensar muito no amanhã, porque eu sei que quando se trata das minhas escolhas, elas sempre são incertas.

Aliás, voltando ao "non-planner datebook", as maiores decisões que eu já tomei na minha vida foram de uma hora para outra. Foi assim que eu resolvi que queria fazer jornalismo e vir morar no Rio de Janeiro, foi assim que eu decidi que queria trancar a faculdade e viajar por um semestre, sozinha, foi assim que eu decidi que queria trabalhar com 18 anos e foi assim que eu decidi o "sim" que me levou ao 'altar' em 2008. E não houve arrependimento em nenhuma dessas ações. É claro que há sempre essa chance, o que deixa tudo ainda mais emocionante. Mas, por ventura, até agora não aconteceu.

O "non-planner datebook" é uma ótima forma de planejarmos coisas que nunca acontecerão, para que tenhamos tempo de viver o que nunca imaginamos.

Nenhum comentário: