quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Todas as coisas que a gente não diz

Acho que eu estou com gastrite. Eu lembro da mãe de uma amiga falando, quando ela teve gastrite, que estava com aquilo de tanto sapo que ela engolia. Ontem, eu ouvi de uma pessoa muito próxima que as pessoas gostam de mim porque eu nunca digo não para elas. Talvez tudo isso esteja relacionado. Tem um provérbio chinês que diz que uma das coisas que não se pode voltar atrás é com a palavra dita. Para mim, não poderia ser mais verdadeira a afirmação. Quantas vezes não quis falar tudo, colocar para fora o que eu estava sentindo, desabafar, gritar, e recuei por achar que não agüentaria as conseqüências ou porque coloquei em dúvida se a pessoa realmente deveria ouvir aquilo. Eu sempre soube que não tem caminho de volta.

Ontem tentei falar sobre as coisas que eu não digo. Só no começo, já magoei alguém que eu me importo. Se eu fosse até o fim, ou até o meio, que seja, poderia ter causado um estrago imenso. Hoje quis falar outras coisas, mas projetei toda a situação à frente e vi que era melhor não dizer nada. Meu médico falaria, “é por isso que você está com gastrite”. Bom...

Mas o ponto onde quero chegar é o seguinte: o que a gente faz com todas as coisas que a gente não diz?

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

e L a

Essa é uma história sobre uma menina. Às vezes ela vai dormir sem escovar os dentes porque tem preguiça (só lembra depois que deita, vai entender), anda descalça pelo mesmo chão de casa que ela pisa quando chega da rua e não lembra de tirar o tênis, ela olha para espelho todas as vezes que passa por ele, vai à cozinha fazer alguma coisa que nunca consegue lembrar o que é, quando o despertador toca, ela desliga e coloca mais cinco minutos, durante umas cinco vezes até levantar de verdade, às vezes quando está no banho senta no chão do banheiro e fica lá pensando por horas, dorme no ônibus, com a cabeça encostada na janela e nunca perdeu o ponto, coloca o pé na cadeira do trabalho e apóia o rosto no joelho enquanto está escrevendo, gosta de ir ao cinema sozinha porque consegue pensar melhor na história que assistiu quando o filme acaba. Ela também pensa em mais coisas boas do que realmente faz e ela se sente culpada por isso, mas não faz e nem tem planos de fazer nada para mudar. Porque ela aceita que as coisas são simplesmente assim. Ela sabe que tem pessoas na vida que se destacam profissionalmente e pessoalmente porque têm facilidade de conquistar os outros, por mais que não tenha ninguém que ela conheça que realmente tenha motivos para não gostar dela, ela não é uma dessas pessoas. Mas tudo bem, porque ela sabe que pode ser feliz mesmo assim. Ela também tem ciência de que não é bonita para a maior parte das pessoas, porque seu rosto não é simétrico como o de uma pessoa que é bonita, mas ela sempre se achou bonita o suficiente para não se preocupar com isso e só quando está na TPM que as coisas tendem a complicar um pouco, porque nesse período fica um pouco mais sensível e com o ego abalado. Mas ela sabe que são somente duas semanas no mês, que não considera muito, porque não chega nem a ser metade. Ela tem pena de pessoas idosas, mesmo quando elas são felizes e não pode ver ninguém sozinho na rua, no bar, na praia ou no cinema porque acha que a pessoa está sozinha porque não tem ninguém para fazer companhia, mesmo que saiba que também gosta de ficar sozinha e muitas vezes quando sente essa pena, se encontra sozinha e não consegue se colocar no lugar dos outros (será que sentem pena dela?). Na mesa do bar ela tem mania de limpar a mesa que fica molhada por causa do chopp na sua frente, faz isso inconscientemente. Ela acredita na liberdade das pessoas e tem dificuldade de entender qualquer limite imposto a ela (à liberdade). Às vezes ela tem dúvidas sobre a existência de Deus, vida após a morte e todas essas coisas, mas outras vezes é simplesmente claro que tudo isso existe. Ela acredita muito na fé e por isso mesmo fica em dúvida sobre todas as outras coisas. Mesmo que ela saiba que as pessoas gostam de novidades, que depois de um tempo elas enjoam umas das outras, que os relacionamentos tendem a esfriar com o tempo e as pessoas correm o risco de se apaixonar por outras, ela aposta todas as suas fichas no amor, porque acredita que não há preço no mundo que supere um amor correspondido. Ela sabe se apaixonar todos os dias. Por pessoas, lugares, sentimentos e situações. Ela gosta de música, mais do que quase tudo na vida. Ainda não decidiu se quer ser feliz com pouco ou com muito, mas não está muito preocupada com isso porque sabe que o tempo voa e ela não precisa decidir isso assim... ela pode simplesmente viver. Aliás, viver é uma coisa que ela gosta muito de fazer.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Amigo


Troquei e-mails com um amigo de longa data essa semana. Ele está triste, a namorada dele se mudou para outro estado, a cinco horas de distância. Ele está tentando um emprego por lá, mas não está tendo muita sorte. Se não conseguir, pode ser que eles terminem.

Isso me faz pensar no que falei no post anterior, sobre apego e desapego. Situações como essa me fazem pensar que o ser humano é muito "carnal", mais do que pensamos que somos. Eu sempre achei - e acho até hoje - que é possível sobreviver à distância e ao tempo (desde que o tempo esteja no limite do bom senso). Mesmo casada, falo sempre sobre os intercâmbios que ainda gostaria de fazer, sobre como eu considero as experiências em outros lugares, com culturas diferentes, válidas demais. Acho que não existe um tempo estipulado para o bom senso. Vai de cada um, do que cada um sente, do que cada um pensa.

Se eu estivesse no lugar dele, não consideraria a possibilidade do término simplesmente por não ter conseguido um emprego. Acho que eu levaria enquanto fosse possível. Enquanto a saudade fosse maior do que a necessidade do contato físico. Talvez essas coisas aconteçam de forma diferente para os homens.

Mas nem é por isso que estou escrevendo sobre ele. É por causa da amizade mesmo. É um dos meus amigos que mora mais longe de mim, mas que eu sinto mais perto. Acho engraçado essas coisas. A gente tem aqueles amigos que estão todos os dias conosco, tem aqueles que encontramos de vez em quando, tem aqueles que não encontramos nunca. E a importância de cada um, independe desse convíviol. A intimidade com cada um independe desse convívio.

Ele é uma dessas pessoas que são mais importantes do que quase todas as outras que estão ao nosso redor. E eu fico feliz demais por saber que ele faz parte da minha vida.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O Desinformante

"(...) Mark foi diagnosticado como bipolar. Esse dado, porém, não é essencial (...) ele representa só uma forma mais extrema de uma necessidade humana inescapável: a de não ser só o que se parece." Isabela Boscov falando sobre o filme "O Desinformante", na Veja.

Quando eu era mais nova, pensava que seria mil 'Julias' a mais. Eu poderia ser aquela que mora em Nova York, trabalha numa lanchonete e vai ao MoMa aos sábados. Nos almoços comeria sanduíche, trocaria o jantar por um pub e seria amante da flea market. Poderia ser a funcionária pública, que tem uma vida pacata, uma rotina, que vai ao supermercado todas as segundas, assiste a todas as exposições da cidade, ama almofadas e coleciona sapatos. Poderia também ser a jornalista descolada, que vai à feira no domingo, compra uma melancia, leva para casa, come e depois vai à praia. Assiste a todos os filmes, inclusive do circuito off, lê jornal na praia e medita quando todo mundo já foi embora.

Mas a questão é que eu não tenho tempo de ser tudo isso (e mais as outras 997 Julias que eu esperava ser). Eu sou só uma, tenho uma vida só. Será que é por isso que mentimos? Porque queremos que aconteça, além de tudo o que acontece de verdade, uma vida de mentira?

Parece que vou mudar de assunto, mas a linha de pensamento é a mesma. Há pouco tempo eu li que quando você quer mudar o seu jeito de ser, quando quer ser uma pessoa diferente, as pessoas ao seu redor têm uma dificuldade muito grande de aceitar sua mudança. Eu vivi isso aos 19 anos, pela primeira vez. Quando voltei de viagem com ideias, foco e planos completamente diferentes do que tinha antes. Meus amigos disseram que eu "não estava sendo a Julia de verdade". Mas aquela Julia tinha que ser a Julia de verdade para quem?

"uma necessidade humana inescapável: a de não ser só o que se parece"

E, mais uma vez parecendo que eu vou mudar de assunto, mas é a mesma linha: sem querer, esses dias, refiz o Orkut com o meu e-mail “oficial”, coisa que tentei muito nos últimos meses, mas nunca tinha conseguido. E esses dias, entrei na página do Orkut quando ainda estava logada com ele e apareceu a opção de refazer a conta. Parei e me perguntei: se eu vou fazer um Orkut novo, vou tentar buscar no meu interior, no meu “eu de verdade” quem é essa Julia. Ela quer ter contato com todo mundo, aleatoriamente? Ela quer se aproximar mais das pessoas que realmente importam em sua vida? Ela quer dizer quais são os seus livros e filmes favoritos? Ela quer que todo mundo veja as fotos da sua última viagem?

Assim como QUASE TODO MUNDO, sempre tenho oscilações, amando e odiando as mídias sociais. Mas elas podem ser muito reveladoras. Basta avaliar se a imagem que ela passa de você para as pessoas que te conhecem, é a mesma imagem que ela passa de você para as pessoas que não a conhecem e a mesma imagem que você tem de você mesma. Depois disso, você vai ter uma visão ampliada e, quanto mais próximas essas imagens forem, mais sincera você é com o mundo e com si própria.

Ufa!!! Cansei... esse texto foi meio cansativo.

domingo, 11 de outubro de 2009

D.e.s.a.p.e.g.o

desapegode.sa.pe.go (ê) sm (des+apego) 1 Desafeição, desamor, indiferença. 2 Desinteresse. 3 Desprendimento. Var: despego. Antôn (acepções 1 e 2): amor, interesse.

Primeiro Vamos partir da princípio de que não há verdade absoluta.

Segundo Sobre a definição do dicionário... é claro que não precisamos considerá-la correta, afinal de contas o desapego pode ser algo muito pessoal para estar definido dessa forma. Mas, considerando que ela esteja correta, não seria contraditória a definição, de acordo com os pensamentos budistas? Porque o desapego, para eles, não significa o "não-amor", mas sim o desapego material. O que eles sugerem é que você ame a todos igualmente, mas não seja escravo desse amor, que não considere aquele o seu relacionamento, aquela a sua pessoa. Talvez por isso seja tão difícil para conseguirmos aceitar o desapego budista, porque a verdade que temos desde que nascemos é que o desapego é o desamor, a indiferença. E não queremos isso em relação às pessoas que amamos.

Ensinamentos Budistas
"Então, seja qual for a sensação que experimente, se a pessoa o aprova e acha agradável então a sensação condiciona o desejo, e desejando a pessoa se apega ao objeto desejado. Então o desejo condiciona o apego. Quando a pessoa se apega ela irá agir pela palavra ou pelo o corpo para possuir o objeto desejado."
"O que é a extinção do sofrimento? É a completa erradicação e desaparecimento da ignorância, desejo, apego, cobiça, ódio e ilusão e em conseqüência o abandono e libertação da ilusão do EU e do MEU."

Terceiro
Eu concordo que tudo isso acima descrito, leva ao sofrimento, de uma forma ou de outra, realizando ou não o seu desejo. Mas não seria esse sofrimento pequeno perto do que foi conquistado? O tal preço que tanto falo, não é a respeito disso? Se extinguimos o sofrimento, fazemos desaparecer a ignorância, o desejo, o apego, até mesmo o ódio, que tem sua função na nossa vida, a ilusão, ainda temos prazer em estar aqui? Será que não transcendemos para um mundo que não nos pertence?

transcender trans.cen.der(lat transcendere) vtd e vti 1 Passar além dos limites de, ser superior a; exceder, sobrepujar, ultrapassar: Zomba daquilo que lhe transcende a capacidade de compreender. Suas virtudes transcendem às dos seus confrades. "Transcende muito além de todos os afetos e desejos" (Pe. Manuel Bernardes). vti 2 Chegar a um alto grau de superioridade; distinguir-se: Estas religiosas transcendem em muitas virtudes.

A ideia parece trazer a paz. E todos queremos paz. Mas a que preço? Posso conviver com o sofrimento do apego, porque ele me traz mais momentos bons do que ruim, mais prazer do que sofrimento. E mesmo quando o prazer acaba, o sofrimento não é grande o suficiente para não desejá-lo mais.

Será que a libertação de todos esses sentimentos que me transforam humana me levará realmente ao caminho que busco? Busco alegria, felicidade. Quem é sensível ao sofrimento realmente não pode seguir o caminho que escolhi. Mas eu me considero forte e determinada o suficiente para enfrentar os momentos mais difíceis, em busca da felicidade. A mesma que senti ontem, quando vivi, que sinto hoje, agora, por estar aqui, desejando, apegada às pessoas que amo, apegada às histórias que vivo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Quem conta um conto, aumenta um ponto

É sempre verdade, por mais que as pessoas insistam em dizer que não. E a história não fica mais divertida? É claro! Mas diante da saída tragicômica do trabalho, de ontem, diante do dilúvio que aconteceu no Rio de Janeiro, não será preciso aumentar/inventar/criar/sacanear nada nem ninguém. A situação real fala por si só.

Ninguém imagina, mas até uma chuva torrencial como a de ontem tem o seu lado bom. Saímos do trabalho às 19hs, todas juntas, cada um com um destino. A Paty tinha um jantar para ir com outras colegas do escritório que já esperavam por ela com outros amigos, as outras meninas iam para casa. A Carol está com a perna bichada, com bota e muleta.

Na hora de pedir o táxi, deixaram a Paty ligar. Não era para ter deixado a Paty ligar. Quando a menina disse que não tinha previsão de táxi, ela desligou. Resolvi ligar novamente, para deixar nosso nome na lista de espera. Desisti, quando a menina me disse que não estava autorizada a fazer mais reservas, pois 687 pessoas já estavam aguardando :p Foi aí que começou o desespero.

"Vamos ligar para o Barra Sorte!", Clementina disse. "Ah, é nesse mesmo que vamos conseguir. Se não conseguirmos nesse, não conseguimos em nenhum outro", completei.

A Paty ligou de novo, para outro número. Não era para ter deixado a Paty ligar. Na hora que a menina pediu para descrever as passageiras, quando chegou na parte da Carol, a Paty ficou com vergonha e começou a rir copiosamente, pois não conseguia descrever a amiga machucada.

Peguei o telefone e pedi o táxi, não tinham previsão, mas pelo menos ainda aceitavam pessoas para a lista de espera.

A Paty não parava de falar na pizza do Brás. Depois de 40 minutos falando, a Ana pergunta: "Quem comeu pizza???". Não, Ana. Ninguém fez lancheterapia sem você, ninguém comeu pizza no escritório, ninguém fez essa maldade de ligar para o Domino's e pedir aquelas pizzas brotinhos de chocolate que temos direito sem você estar presente. Calma, tá?

No auge das gargalhadas, que já eram de desespero mesmo com medo de ficarmos presas no trabalho até a chuva parar - e não estava parecendo que ia parar -, vem o segurança com uma algema na mão em direção à Carol. "O que isso? Nós só estávamos rindo, descontraindo, tentando esquecer a depressão dessa chuva incessante!". O rapaz sorriu , passou a algema por cima da Carol e prendeu a porta que estava atrás dela. Ufa! Um problema a menos.

No meio da confusão, pego meu bloquinho azul e começo a escrever. A Carol desabafa: "Ah, pronto! Agora a Julia vai começar a psicografar e colocar tudo no blog amanhã." A Monique diria que eu comecei a "meditar". Mesmo sem saber, falando da boca pra fora, ela adivinhou. Quando escrevo aqui é como se estivesse realmente meditando.

A chuva diminuiu. Eu, Carol e Ana Carol resolvemos tentar sair. Andamos 5 metros no estacionamento e o dilúvio volta. "DÁ RÉ, DÁ RÉ!!!!", grita a Carol, que sai correndo com a muleta levantada e a bota cheia de saco plástico de supermercado para não molhar e ficar fedendo no dia seguinte. Eu e Ana acabamos nos molhando, porque no acesso de riso, acabamos ficando para trás. A Paty vem com o IPhone e começa a tirar foto da nossa desgraça.

Não era para ter deixado a Paty tirar foto.

Ela recebe uma ligação. Será socorrida, uma pessoa está vindo buscá-la. Ela tem que ir até o hall do prédio que fica a mais ou menos 300m de onde estamos. "Como vou para lá sem me molhar?" Tão óbvio, aff! rs "Pelo subsolo, Paty". "EU VOU ME PERDER NO SUBSOLO!!!". É... tem gente que não consegue se encontrar mesmo. Acabou se molhando um pouquinho, mas aquelas gotas não estragaram em nada na noite dela. Ainda bem!

Ela foi embora. Consegui convencer o Igor de nos buscar. As meninas foram embora. Ficamos eu e Carol. "Vamos jogar um jogo da velha?". Ela levanta do meu lado, vai para o outro banco. Estica o pé na mesa. Pego meu celular e fico jogando Tetris. A chuva passou. Parecia até brincadeira.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

"A raiva é a loucura passageira"

Shakespeare disse em Hamlet...

Who are 'they'?

Já viu Elizabethtown? Tem uma hora que ela e ele conversam por horas por telefone e em determinado momento, falam sobre as coisas que sabemos que existem, mas que não sabemos porque. Por exemplo, você já usou a frase "é o que dizem", todo mundo já usou. Mas quem diz? Quem foi essa pessoa que determinou isso?

Ontem eu estava acompanhando uma foto num restaurante e faria parte da foto uma taça de vinho tinto e o vinho tinto. Mas não podia ser qualquer taça. Tinha que ser a taça de vinho tinto. Porque existe uma taça para vinho branco e duas taças diferentes para vinho tinto. Ok. Quem disse isso? Acho que nós precisávamos rever isso e outras coisas.

Talvez, na época que isso foi inventado (junto com o número de talheres na mesa, guardanapo no colo, etc), as pessoas não tinham muitas coisas com o que se preocupar, não é? Bem diferente de hoje em dia.

E o que é a coluna de casamentos do New York Times? Eu amo o New York Times, mas peloamordedeus!!! Por que uma coluna sobre casamentos num jornal tão "moderno" como esse? Existe um passado - remoto ou não, passado é passado - onde as pessoas queriam saber quem casou com quem, havia interesse político, havia interesse financeiro/econômico e talvez fosse mais compreensível saber da vida alheia nessa época.

Acho que as pessoas estão o tempo todo lutando contra o natural delas por causa dessas coisas que "eles" falam. Porque "eles" determinam o que é certo e errado, o que você pode ou não fazer.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

É agora ou agora!

Campanha nova do Greenpeace, por causa das Olimpíadas de 2016. Tem um "q" de bizarro (tipo assustador mesmo...), mas a ideia é boa, sem dúvida.

domingo, 4 de outubro de 2009

How lucky I am to have known someone who was so hard to say goodbye to

Vi essa frase num blog bem interessante que descobri esses dias, Le Love (está na minha lista de blogs preferidos à direita desta página). Há muito tempo não preciso dizer adeus às pessoas que amo, ainda bem. As últimas foram meus avós paternos, meu avô materno e minha bisavó. Eram pessoas muito próximas, principalmente minha avó, por parte de pai.

Sonhei com ela na noite passada. E só agora, depois de um dia inteiro, que lembrei o que me fez ter esse sonho. Ontem, enquanto conversava com uma amiga sobre câncer, ela disse que sua avó ficou muito diferente por causa dos remédios que tomava. Ela, que sempre foi um amor com os netos, ficou agressiva de repente.

Lembrei da minha avó e da sensação que eu tive de que ela não estava feliz de estarmos presentes no quarto pouco antes da sua morte. Foi a última vez que a vi. Será que eu nunca aceitei aquele momento? Será que achava que ela deveria ter sido mais carinhosa comigo, depois dos 12 anos que cuidou de mim e do meu irmão? Ela sempre era tão próxima, adorava passar os finais de semana com ela, mesmo depois de ter passado a semana inteira juntas!

Não sei o quanto isso influencia no fato de eu sonhar com ela quase que semanalmente. No geral, penso no quanto seríamos amigas hoje. Conversaríamos sobre a vida, sobre decisões, sobre casamento, filhos... sobre amor, sofrimento e ela me contaria suas experiências nos tantos anos que esteve aqui.

E, depois que ela morreu, eu não desejaria amar ninguém mais? Para evitar o sofrimento de perdê-los? Meus pais? Meus irmãos? Meus amigos?

Hoje eu me dei conta do quanto tenho medo da morte. Primeiro, porque terminei de ler um livro e sei como fico quando termino livros. Fico triste, porque quero mais história. Quero saber o que aconteceu depois, que caminho cada um tomou, se foram felizes ou tristes, se aproveitaram o aprendizado ou não...

Segundo porque a Tangerina, minha cachorrinha, teve um ataque, que até agora não sei bem o que foi. Mas pensei que fosse morrer. Só de pensar nessa possibilidade, meu coração veio na garganta e ali ficou por intermináveis três minutos, voltando ao lugar somente quando ela melhorou subitamente, como se nada tivesse acontecido.

Não estou preparada para isso. Não me conformo com o nada. Talvez por isso busque sempre uma razão maior, seja para a vida ou para a morte. Enquanto em Terra, acredito que a fidelidade ao que sentimos e pensamos seja primordial para que não haja arrependimentos no "final". Após a morte, não sei o que pensar, porque não sei o que acontece. É confortável pensar como os espíritas. Mas não sei no que realmente acredito, pois não conheço as minhas reais possibilidades.

Quanto à frase do título deste post, ela simboliza minha opinião sobre o livro que citei no post anterior. Eu prefiro o sofrimento do relacionamento do que o vazio do isolamento. Sem dúvida.