"(...) Mark foi diagnosticado como bipolar. Esse dado, porém, não é essencial (...) ele representa só uma forma mais extrema de uma necessidade humana inescapável: a de não ser só o que se parece." Isabela Boscov falando sobre o filme "O Desinformante", na Veja.
Quando eu era mais nova, pensava que seria mil 'Julias' a mais. Eu poderia ser aquela que mora em Nova York, trabalha numa lanchonete e vai ao MoMa aos sábados. Nos almoços comeria sanduíche, trocaria o jantar por um pub e seria amante da flea market. Poderia ser a funcionária pública, que tem uma vida pacata, uma rotina, que vai ao supermercado todas as segundas, assiste a todas as exposições da cidade, ama almofadas e coleciona sapatos. Poderia também ser a jornalista descolada, que vai à feira no domingo, compra uma melancia, leva para casa, come e depois vai à praia. Assiste a todos os filmes, inclusive do circuito off, lê jornal na praia e medita quando todo mundo já foi embora.
Mas a questão é que eu não tenho tempo de ser tudo isso (e mais as outras 997 Julias que eu esperava ser). Eu sou só uma, tenho uma vida só. Será que é por isso que mentimos? Porque queremos que aconteça, além de tudo o que acontece de verdade, uma vida de mentira?
Parece que vou mudar de assunto, mas a linha de pensamento é a mesma. Há pouco tempo eu li que quando você quer mudar o seu jeito de ser, quando quer ser uma pessoa diferente, as pessoas ao seu redor têm uma dificuldade muito grande de aceitar sua mudança. Eu vivi isso aos 19 anos, pela primeira vez. Quando voltei de viagem com ideias, foco e planos completamente diferentes do que tinha antes. Meus amigos disseram que eu "não estava sendo a Julia de verdade". Mas aquela Julia tinha que ser a Julia de verdade para quem?
"uma necessidade humana inescapável: a de não ser só o que se parece"
E, mais uma vez parecendo que eu vou mudar de assunto, mas é a mesma linha: sem querer, esses dias, refiz o Orkut com o meu e-mail “oficial”, coisa que tentei muito nos últimos meses, mas nunca tinha conseguido. E esses dias, entrei na página do Orkut quando ainda estava logada com ele e apareceu a opção de refazer a conta. Parei e me perguntei: se eu vou fazer um Orkut novo, vou tentar buscar no meu interior, no meu “eu de verdade” quem é essa Julia. Ela quer ter contato com todo mundo, aleatoriamente? Ela quer se aproximar mais das pessoas que realmente importam em sua vida? Ela quer dizer quais são os seus livros e filmes favoritos? Ela quer que todo mundo veja as fotos da sua última viagem?
Assim como QUASE TODO MUNDO, sempre tenho oscilações, amando e odiando as mídias sociais. Mas elas podem ser muito reveladoras. Basta avaliar se a imagem que ela passa de você para as pessoas que te conhecem, é a mesma imagem que ela passa de você para as pessoas que não a conhecem e a mesma imagem que você tem de você mesma. Depois disso, você vai ter uma visão ampliada e, quanto mais próximas essas imagens forem, mais sincera você é com o mundo e com si própria.
Ufa!!! Cansei... esse texto foi meio cansativo.
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