Foi pensando que eu tinha que tirar essa história de mim, porque, por mais que eu não tenha pensado muito nela nas últimas semanas, todas as vezes que tenho que contar a história - ou parte da história, como tenho preferido - fico um desastre.
Além disso, não é justo trazer tudo isso para 2010. Não é justo comigo, nem com ninguém. Portanto, se é para colocar para fora, que seja em 2009, que está acabando e pode ficar com todas essas lembranças, sem culpa.
Quando conversei com ele sobre o planejamento do final de semana, discutimos. Primeiro porque na sexta eu tinha marcado uma noitada com meus amigos. Segundo porque no sábado tinha churrasco da pós. Terceiro porque ele estaria viajando e não poderia ir comigo em nenhum dos eventos. E quarto... bem, quarto por causa daquela velha e conhecida história de todas as nossas discussões: cerveja.
Como não estávamos na melhor das fases, achei que seria melhor mesmo evitá-la no final de semana. Melhor para mim, melhor para ele e, sem dúvida, melhor para nós dois. Disse que não beberia, que na sexta, inclusive, iria de carro para a Zona Sul porque queria acordar cedo no sábado. Tinha coisas para fazer, da pós, antes de ir para o churrasco.
E, depois de uma discussão, combinamos assim.
Chovia naquela sexta. Mas eram amigos que eu não via há tanto tempo, que não desanimei nem por um segundo em encontrá-los. Nem eles desanimaram, estavam todos ansiosos por aquele encontro, por aquelas horas juntos. Como a chuva atrasou a chegada do Marcelinho no Rio, combinei com a Carol que a buscaria no trabalho, iríamos para a casa dela para que pudesse se arrumar e depois sairíamos. E assim foi.
Logo que entrou no carro, ela disse que a Nandoca também estaria de carro, mas resolveu dormir na casa dela, deixar o carro lá, para poder sair e beber à vontade. Perguntou se eu não gostaria de fazer o mesmo. Disse que era uma opção, mas que decidiria depois. Fiquei dividida. Ao mesmo tempo que eu havia dito para o Igor que não beberia na sexta,
sabia que aquela noite era especial porque encontraria AMIGOS que eu estava com MUITA SAUDADE! E que seria legal se eu pudesse ficar à vontade para beber com eles.
Mas não precisei de muito esforço para mudar de ideia. Assim que cheguei na casa das meninas, a tia Maria me falou a mesma coisa, de deixar o carro e dormir por lá mesmo. Que mal teria? No dia seguinte acordaria, passaria em casa e depois iria para o churrasco. O máximo que poderia acontecer de ruim é eu deixar o trabalho da pós para domingo.
Lanchamos, nos arrumamos, eu, Carol e Broca e esperamos que o resto do pessoal chegasse. E quem chega para minha surpresa, junto com eles? Cleyton! Depois de 4 anos fora do Brasil, ele chega assim, de surpresa! Não podia ser mais perfeito! Eu, Carol, Broca, Mariana, Marcelo, Marcelinho e Cleyton! Ainda conhecemos uma amiga da Mari, outra Carol, muito gente boa também!

A noitada foi ótima! Engraçada, divertida, animada! Dançamos demais, bebemos, rimos, fotografamos!!! Fazia muito tempo que eu não tinha uma noite tão animada! Foi como nos velhos tempos, exatamente como nos velhos tempos!
Saímos de lá de manhã. E só paramos de rir quando chegamos em casa!
Assim que chegamos na casa das meninas, disse que iria aproveitar que já estava de manhã para ir para casa. "A essa hora não tem mais blitz da Lei Seca, vou devagar, é bem tranquilo". As meninas ainda tentaram me convencer de ficar, mas eu quis ir embora mesmo assim. Queria dormir em casa, acordar em casa.
Demoraria somente algubs minutos para eu lembrar o quanto critiquei os jovens da Barra que morreram num acidente na Av. Ayrton Senna por baterem com o carro às 7am. "Eles acham que só porque não tem mais blitz podem pegar o carro e dirigir!" Foi exatamente o que eu falei na época.
Na curva da Av. Brasil para a Linha Amarela, eu, numa velocidade bem mais alta do que deveria estar e com muito menos reflexo do que deveria estar, deslizei, freiei, derrapei e bati com o carro na pista chuvosa por volta das 7am.
Sorte: cinto de segurança.
Antes mesmo de tirar o cinto e sair do carro, só o que eu conseguia pensar era no Igor. No que tínhamos combinado, que eu não beberia na sexta, na promessa que eu tinha feito anos antes, de nunca mais dirigir tendo bebido, em cada briga que tivemos durante esses quase 6 anos juntos, eu sempre tentando provar para ele que não tinha mal nenhum em beber e ele sempre tentando encontrar evidências para me provar o contrário. Bom, acho que agora ele tinha uma, melhor do que qualquer outra argumento que eu pudesse ter contra.
Não, o carro não tinha seguro, mas, apesar do gigante prejuízo, nós tínhamos coisas muito mais importantes a perder do que nossos bens materiais.
Não foi o melhor momento. Na verdade, talvez tenha sido o pior momento para isso acontecer. eu estava em fase de provar para ele que eu podia ser melhor, estava em fase de não errar, não vacilar. E olha o que eu fui fazer...
Não precisa estar muito próximo de nós para saber como ele ficou com tudo isso. Decepcionado, traído, magoado, triste... Eu não tinha o que dizer. Se ele quisesse me deixar, se ele quisesse desistir, tinha todo o direito. Não só por isso, mas pela soma de todas as coisas.
Eu não tinha mais contra-argumento. Não tinha mais nada a meu favor.
Eu não consigo descrever a dificuldade que ele teve em me perdoar, em passar por cima de tudo para me dar mais uma chance e nem quero entrar muito nessa questão aqui. Isso é muito pessoal, pessoal dele.
Você que está lendo deve estar pensando nos prejuízos. Foram realmente muitos prejuízos.
Durante algum tempo, toda vez que eu pensava no dano que havia causado, no dano físico, no dano moral, nos danos para o relacionamento, chorava. E até hoje, quando voltamos no assunto por qualquer razão, a dor na garganta aparece, com a gota entalada.
Estamos sem carro, mas estamos bem.
No final de semana que isso aconteceu, eu praticamente dormi o tempo inteiro depois. E nas horas que estava acordada, ficava tentando encontrar no que me segurar. Tentava encontrar um lado positivo para todas as coisas que tinham acontecido comigo nos últimos meses, ficava pensando que era difícil mesmo, mas que eu conseguiria encontrar o lado bom. Tudo na vida tem um lado bom, esse é meu lema, sempre foi e não mudaria agora.
Agora já tem algumas semanas. Ainda é difícil identificar direito tudo o que isso significou. Eu não me machuquei, fisicamente, não me machuquei e não machuquei ninguém. Isso é muito bom. Uma amiga me disse que talvez tenha sido bom isso ter acontecido, para que eu pudesse ver que eu não sou invencível, que as coisas ruins também podem acontecer para mim.
Ela está certa. Eu sempre achei que as coisas ruins não aconteceriam para mim. 2009 me mostrou de algumas formas que elas podem, sim, acontecer.
Eu não consegui demonstrar aqui tudo o que essa experiência trouxe para mim, para a minha vida. Não conseguiria, é um tanto complexo para isso. Meu intuito era tirar isso de mim mesmo. Eu não tive coragem de contar para ninguém. As pessoas que sabem disso, não sabem porque eu quis contar. Eu tive que contar para elas. Coragem mesmo de falar sobre isso, só estou tendo agora.
O que eu senti foi vergonha. Vergonha de ter feito uma coisa tão imbecil. Beber e dirigir, a essa altura?! O que eu teria para falar sobre isso? Qual seria minha defesa? Eu achei que as pessoas poderiam ser cruéis. Eu não estava pronta e achei que era meu direito não falar.
Mas não era. Outro lema que eu tento seguir diariamente é que temos que assumir as consequências dos nossos atos. E eu fugi o quanto aguentei fugir. Mas sei que não estava agindo correto.
Talvez fosse mesmo meu direito guardar tudo isso só para mim. Mas o que é meu dever nessa história?
Que 2010 seja um ano melhor para todos nós! Que seja um ano de paz, com saúde, luz, felicidade, sorrisos, abraços!
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