segunda-feira, 12 de abril de 2010
Espera
Será que a gente pode classificar a "espera" como um sentimento? Porque ela é, afinal de contas, dolorosa. Ela persiste. Ela se faz presente. Ela pode ser comparada de perto à saudade. Pode se relacionar facilmente à dor. Pode incomodar, pode criar sonhos, ilusões, da hora da chegada. Não importa quem, o que, a espera sempre incomoda.
E se eu dissesse que estamos na Era da Espera?! Porque sempre esperamos por algo que está para acontecer. Profissionalmente, por exemplo, esperamos pelo dia em que vamos fazer o vestibular, então esperamos pelo dia em que vamos ter o primeiro dia de aula da faculdade, esperamos pela oportunidade do primeiro estágio, pela formatura, pelo primeiro emprego, pela primeira promoção, pela escolha de uma pós, pelo que vai acontecer após a "pós".
Paralelamente, no âmbito pessoal, esperamos pelo primeiro beijo, pelo primeiro namorado, pela primeira transa, pelo primeiro fora, pelas noitadas da faculdade, pelo primeiro amor, pelo casamento, pelos filhos, pelas primeiras palavras deles, pelos primeiros passos e assim por diante.
Minha profissão faz com que nós esperemos muito. Esperamos pelo jornal que vai sair amanhã, para sabermos se vamos continuar falando daquelas novidades ou se vamos falar de outras novidades, esperamos pelas datas comemorativas - e às vezes nem as vemos passar - de tanta antecedência que as trabalhamos, esperamos pelo retorno do jornalista, esperamos pela publicação que ele disse que aconteceria, esperamos pelas informações dos clientes, esperamos, esperamos, esperamos.
E enquanto esperamos, o que fazemos? Bem, no trabalho temos nossos chefes. Eles cuidam para que não fiquemos desocupados enquanto esperamos. Mas e na nossa vida pessoal? Quem é o chefe? Quem garante que não vamos ficar esperando e vendo a vida passar? Temos que ser juízes de nosso próprio jogo, para que tudo caminhe, literalmente, da forma correta, de forma completa.
Eu não quero esperar. Eu não quero depender do futuro abstrato sobre o qual mencionei aqui mesmo, outro dia. Não quero que minhas ações no hoje dependam de coisas que só acontecerão amanhã. Como faço? Não sei, mas saber que eu posso optar por não esperar é prazeroso o suficiente. O resto, a gente faz acontecer... fazendo.
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Um comentário:
Juuuu,
Eu sou suspeita de dizer sobre os seus textos, né? Eu adoro todos eles. Esse que fala da espera então... Xiiii.. me fez pensar em tantas coisas que ainda espero e não sei se um dia irão realizar. Vou esperando... vou esperando. Quem sabe uma hora não acontece.
Bjsssss
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