Eu sempre achei que carregava todas as dores do mundo. "È claro, egoísta e egocêntrica, não poderia achar outra coisa". É o que diriam. A coisa poderia ser mais simples, mas não é. Todo mundo tem esse egoísmo e egocentrismo quando o assunto são as dores do mundo. Aqui, as coisas sempre são piores do que lá. O engraçado é que se pensa e sente uma coisa, e se fala outra. Porque, eu não sei para vocês, mas para mim só contam histórias engraçadas, divertidas, felizes e a minha vida fica parecendo miserável perto de todas as outras.
Não, hoje eu não penso mais nisso. Eu conheço e reconheço as dores das outras pessoas, eu sei que elas não vão me contar, como eu sei que não contaria para elas. Angústia é uma coisa que as pessoas não dividem com qualquer um. Além disso, não é esse drama todo que parece ser.
Estou no final de "Crime e Castigo". E, sim, a culpa é uma coisa miserável. Não é só a culpa, mas a dicotomia, a catarata, o estigmatismo mental. São todos miseráveis. Uma pena que eles estejam presentes em tantas pessoas, porque isso faz com que o mundo caminhe num telhado de vidro constante. Sabe como? Como se a qualquer momento você fosse julgado por si próprio, sem nem a menos ter argumentos para se defender de si mesmo.
Parece um texto sombrio? Parece que sim. Bem, para mim não é. Eu realmente procuro sempre ver o lado bom da vida. Mas as pessoas ao meu redor tendem a enxergar somente o que querem. E, infelizmente, o que elas querem enxergar é, geralmente, a parte ruim.
O que acontece? O que acontece é que muitas pessoas vão ler esse texto e achar que eu o escrevi para elas. Seria até interessante algo assim, se não fossem tantas as pessoas a quem eu escrevo neste momento. Tanta gente, que eu nem sei se faltou alguém nos meus pensamentos, o que certamente aconteceu. Mas, mesmo essa pessoa que eu me esqueci, vai se identificar por aqui e talvez me lembre mais tarde.
Na verdade, talvez eu ainda pense, mesmo sem querer, que eu tenho todas as dores do mundo. Que as coisas poderiam ser melhores, que eu estou sempre em busca de algo que eu não consigo saber o que é... A diferença é que eu não me importo muito mais com isso, porque, enquanto eu costumava me preocupar, a vida passava lá fora e eu não conseguia acompanhar.
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