Eu amo internet. Não precisa ser tão próximo para saber. Basta estar em uma das minhas - muitas - redes sociais para saber a assiduidade com que escrevo, comento e posto. Portanto todos e principalmente as pessoas que estão mais próximas de mim sabem que o Blackberry foi uma das minhas aquisições mais felizes dos últimos meses. Bem, custou R$799,90, dividido em 10 vezes. A primeira parcela vem fatura que ainda nem chegou. Além disso, tem os R$75,00 do plano para ter a internet ilimitada. Ou seja, um investimento de R$1550,00 (fora o valor da mensalidade para telefone, que eu não estou contando, porque é o serviço básico, que eu já pagava antes). Daria uma bela viagem.
Hoje, três semanas após a compra ter sido efetuada, fui assaltada. Eram cerca de 10pm, eu estava no ônibus com a minha amiga, voltando para casa e falava com minha madrasta no telefone. Dois rapazes levantaram, puxaram a corda para descer, na hora que a porta abriu, meteram a mão no telefone, que estava no meu ouvido - eu ainda tentei segurar, num impulso... o cara ficou tentando puxar e eu fiquei segurando e ele gritando comigo SOLTA, SOLTA LOGO - e foram embora. O motorista fingiu que não viu nada, fechou a porta e saiu com o ônibus. E eu fiquei ainda alguns minutos controlada, tentando entender o que tinha acontecido.
Primeiras ações: ligar para a minha madrasta para falar que está td bem, ligar para o meu pai, para a minha mãe e para o meu marido, para evitar aquelas ligações falsas sobre sequestro.
E agora.... fico pensando que esse mundo é nojento. Eu trabalho, bastante, junto dinheiro para comprar as coisas que eu quero, priorizo, escolho, faço contas e contas para saber se vou conseguir comprar aquela coisa, fazer aquela viagem. Muitas vezes engulo grosserias naturais, que todo mundo que trabalha tem que engulir em algum momento e faço isso porque sei que para eu ter as coisas que eu quero, preciso trabalhar. E vem um moleque, vagabundo e toma o que eu comprei e nem paguei ainda.
Aí você tenta ser superior, pensar que foi só um bem material, que o que importa é que você tem saúde, ele não te machucou, você vai amanhã para o trabalho e vai continuar tudo caminhando como sempre caminhou. Mas não dá para pensar dessa forma. Porque se eu for pensar dessa forma, o que faço? Paro de comprar tudo e qualquer coisa? Paro de andar com bolsa e carteira na rua, celular então, nem pensar?
É claro, não vou comprar outro Blackberry. Nem agora, nem tão cedo. Quem sabe um dia quando eu tiver dinheiro suficiente para não me importar de comprar outro se for assaltada. Mas eu me importo, sim. Talvez eu não seja tão superior. Talvez eu seja, inclusive, tão apegada às coisas materiais, que eu resolvi desembolsar R$1550,00 para uma coisa fútil. Porque essa sou eu. E eu, que compro um telefone e internet para me divertir 24h por dia, me importo.
Mas eu não quero querer as mesmas coisas que essas pessoas querem. Eu não quero me ver de nenhuma foram nelas. Eu não quero nenhum tipo de identificação. Então, por causa disso, eu posso, sim, ter o pior celular que existe, posso andar sem cartão do banco na bolsa e posso parar de comprar coisas caras. Porque eu faria qualquer coisa para não me identificar de forma alguma coisas essas pessoas.
Sim, eu estou muito triste. Foi bom enquanto durou. E estou com muita raiva e ódio no coração. Sei que são sentimentos muito ruins e nos consomem, mas eu não consigo controlá-los, não agora. O lance é mesmo ir dormir e pensar que amanhã é outro dia. E talvez tentar reviver meu lema de adolescente revolucionária... quanto menos a gente tem, menos a gente tem a perder. Sofre-se menos assim.

Um comentário:
Poxa...agora que eu li seu texto estou me sentindo mal pelos comentários que eu fiz ontem... Haahha! Acho que dentro do seu esquema de categorização de personagens eu seria aquele chato que vem com o papel de superioridade espiritualista... Mas não foi essa a minha intenção. Eu sinto sua perda só por você estar se sentindo assim, independente das opiniões que dei ontem.
Beijos
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