Comecei a ler hoje, no ônibus, também em inglês para praticar. Apesar de já ter lido várias páginas, não consegui me dedicar inteiramente ao livro. Assim que entrei no 755 (Cascadura-Gávea), vi duas pessoas suspeitas e não sosseguei até chegar a minha hora de descer. Aliás, quero deixar claro que não desci antes porque sabia que o ônibus lotaria e que não é comum o assalto em ônibus cheio, a não ser que você esteja do lado do bandido, o que não era o caso.
Mas entre pitadas de Itália e um lindo italiano e momentos de tensão, eu não consegui me dedicar nem a uma coisa, nem à outra e minha mente só se ocupava das conversas que eu tenho tido com algumas colegas jornalistas. Todas cheias de planos, todas cheias de ideias. É tão bom dividir esses momentos com elas, dividir as experiências, as coisas boas, as coisas chatas. Eu amo jornalismo, por mais piegas que isso possa parecer.
Hoje aconteceu uma situação que me fez pensar coisas muito ruins sobre as redações dos jornais cariocas. Eu havia sugerido uma pauta há algumas semanas: fondue. Por que há algumas semanas? Porque era quando os principais restaurantes estavam lançando a novidade de inverno. Só que o repórter achou que ainda estava muito cedo para falar de fondue e disse que falaria mais pra frente.
Sem problemas nenhum. Aguardei. Toquei no assunto algumas vezes, mas sem cobranças. Sabia que ele já sabia que eu tinha as sugestões e deixei que ele ficasse à vontade de escolher quando queria fazer a pauta. Ele é o repórter. Ele tem esse poder.
Hoje descobri por sua editora que ele estava fazendo a pauta. Legal. Mandei para ele tudo de novo, com a máxima organização, com preço, descrição, serviço (endereço, forma de pagamento, etc) e fotos. Fotos lindas, diga-se de passagem. Esperei algum tempo e liguei.
Qual não foi minha surpresa quando ele disse que "obrigada, Julia, mas já tenho sugestões o suficiente".
Sim. Raiva? Imagina... Você se organiza. prepara uma estratégia, consegue fotos profissionais com os clientes e se adianta, na tentativa de ajudar o repórter a não deixar aquele assunto importante passar. Quem não fala de fondue no inverno? É o que as pessoas buscam, é o que os leitores querem saber! Quem oferece fondue, quando, aonde e quanto!
Não tive como deixar passar. Tive que lembrá-lo da minha antecipação, lembrá-lo de que ele mesmo falou que "ainda não estava frio o suficiente para isso" e que "quando fosse a hora, saberia o que tínhamos sugerido".
A raiva me remeteu a outra situação, que aconteceu na semana passada. O mesmo indivíduo a quem me refiro acima e outra pessoa importante no cenário gastronômico carioca, tiveram a "sorte" de errar no mesmo dia as informações de uma nota que passamos corretamente (em ambos os casos).
O que me faz perguntar: se a nota está praticamente igual ao que enviamos, por que eles fazem questão de mudar? Só para colocar errado??? Quando eu mudo algo em algum texto, a primeira coisa que eu avalio é se o sentido continua o mesmo!!! Não? Sim. É o que as pessoas normais fazem.
Mas eu me pergunto! O que será que acontece nas redações cariocas para que tantos erros ocorram??? É simplesmente toda semana!!! Eu não consigo entender. Eles chegam tarde na redação. E eu confesso que não sei que horas eles saem. Mas será que o trabalho deles é tão difícil e complicado que eles não conseguem copiar e colar as informações que mandamos? Nós entendemos que eles têm que editar, mas não dá para editar sem alterar o sentido? Pelo menos uma vez?
Não. Imagino que não dê.
Aí fico com ideias empreendedoras... pensei em lançar um jornal somente para erratas. No Rio de Janeiro ele ia vender bastante. Talvez até mais que os jornais vigentes, já que este teria as informações corretas.
Voltando ao Comer, rezar, amar, imagino que seja o livro apropriado para mim neste momento. Estou precisando de incentivos à reza, à vida espiritual, à meditação. Preciso olhar o lado bom da gastronomia, preciso pensar nas próximas viagens que quero fazer. Preciso parar de me prender a esses sentimentos negativos como raiva e indignação e me jogar com tudo nos bons sentimentos, como paz, amor, compaixão e perdão.
Acho que todos precisamos.
2 comentários:
Olha, eu já cansei dessa quebra de braço com os jornalistas de redação. o jogo é assim, infelizmente. e a gente? a gente vai às forras com os erros deles (de portugues, de falta de coerencia, de informações erradas...). Todo mundo erra, po! Mas cair de pau em cima de assessor qd erra é fácil. eles insistem em nos preterir... E a gente ri das mancadas deles tb rs... E o grande lance é que assessor, jornalista de redação, todos humanos... E mais respeito não fazia mal : )
Julinha, seguimos juntas no mesmo barco! Se precisar de uma repórter no seu jornal, me candidato! Prometo não errar.
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