quinta-feira, 22 de outubro de 2009

e L a

Essa é uma história sobre uma menina. Às vezes ela vai dormir sem escovar os dentes porque tem preguiça (só lembra depois que deita, vai entender), anda descalça pelo mesmo chão de casa que ela pisa quando chega da rua e não lembra de tirar o tênis, ela olha para espelho todas as vezes que passa por ele, vai à cozinha fazer alguma coisa que nunca consegue lembrar o que é, quando o despertador toca, ela desliga e coloca mais cinco minutos, durante umas cinco vezes até levantar de verdade, às vezes quando está no banho senta no chão do banheiro e fica lá pensando por horas, dorme no ônibus, com a cabeça encostada na janela e nunca perdeu o ponto, coloca o pé na cadeira do trabalho e apóia o rosto no joelho enquanto está escrevendo, gosta de ir ao cinema sozinha porque consegue pensar melhor na história que assistiu quando o filme acaba. Ela também pensa em mais coisas boas do que realmente faz e ela se sente culpada por isso, mas não faz e nem tem planos de fazer nada para mudar. Porque ela aceita que as coisas são simplesmente assim. Ela sabe que tem pessoas na vida que se destacam profissionalmente e pessoalmente porque têm facilidade de conquistar os outros, por mais que não tenha ninguém que ela conheça que realmente tenha motivos para não gostar dela, ela não é uma dessas pessoas. Mas tudo bem, porque ela sabe que pode ser feliz mesmo assim. Ela também tem ciência de que não é bonita para a maior parte das pessoas, porque seu rosto não é simétrico como o de uma pessoa que é bonita, mas ela sempre se achou bonita o suficiente para não se preocupar com isso e só quando está na TPM que as coisas tendem a complicar um pouco, porque nesse período fica um pouco mais sensível e com o ego abalado. Mas ela sabe que são somente duas semanas no mês, que não considera muito, porque não chega nem a ser metade. Ela tem pena de pessoas idosas, mesmo quando elas são felizes e não pode ver ninguém sozinho na rua, no bar, na praia ou no cinema porque acha que a pessoa está sozinha porque não tem ninguém para fazer companhia, mesmo que saiba que também gosta de ficar sozinha e muitas vezes quando sente essa pena, se encontra sozinha e não consegue se colocar no lugar dos outros (será que sentem pena dela?). Na mesa do bar ela tem mania de limpar a mesa que fica molhada por causa do chopp na sua frente, faz isso inconscientemente. Ela acredita na liberdade das pessoas e tem dificuldade de entender qualquer limite imposto a ela (à liberdade). Às vezes ela tem dúvidas sobre a existência de Deus, vida após a morte e todas essas coisas, mas outras vezes é simplesmente claro que tudo isso existe. Ela acredita muito na fé e por isso mesmo fica em dúvida sobre todas as outras coisas. Mesmo que ela saiba que as pessoas gostam de novidades, que depois de um tempo elas enjoam umas das outras, que os relacionamentos tendem a esfriar com o tempo e as pessoas correm o risco de se apaixonar por outras, ela aposta todas as suas fichas no amor, porque acredita que não há preço no mundo que supere um amor correspondido. Ela sabe se apaixonar todos os dias. Por pessoas, lugares, sentimentos e situações. Ela gosta de música, mais do que quase tudo na vida. Ainda não decidiu se quer ser feliz com pouco ou com muito, mas não está muito preocupada com isso porque sabe que o tempo voa e ela não precisa decidir isso assim... ela pode simplesmente viver. Aliás, viver é uma coisa que ela gosta muito de fazer.

Um comentário:

Unknown disse...

auto-conhecimento...